sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Necessidade

"Não preciso me drogar para ser um gênio.

Não preciso ser um gênio para ser humano.

Mas preciso do seu sorriso para ser feliz."

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Singelo

Se eu pudesse descrever a beleza dos teus olhos.

Se eu pudesse descrever a doçura dos teus lábios.

Se eu pudesse descrever a paz do teu adormecer.

Se eu pudesse... Ah!

Seria chamado mentiroso.

Seria dito que a Terra jamais foi acariciada por tal toque divino.


Então?


Então eu continuo tentando.

Tentando fazer uma descrição composta não apenas por palavras.

Mas também por pequenos gestos e ações.

Então eu continuo tentando.

Tentando fazer dessa descrição um sinal de afeto.

Um sinal de dimensões ínfimas se comparado ao sentimento que habita meu coração.


Rosas?


Eis um gesto singelo.

Eis uma pequena demonstração do meu amor.

Eis a minha contribuição para um dia mais alegre e feliz.

Eis o desejo de um Feliz Natal.

Eis o desejo de que Você tenha um Natal especial.

Feliz Natal!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Entorpecidos

- Não se encontra ninguém que queira dividir sua riqueza, mas a vida é distribuída entre muitos! São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.
Aquele charuto trouxe consigo algo além da sua composição de costume. Trouxe uma idéia. E essa idéia foi plantada e germinou na cabeça de Rivers. Ele estava disposto a discutir sobre a brevidade da vida, e lançava pensamentos ao seu bel-prazer.
Um novo elemento de distração foi introduzido no nosso diálogo. Uma perna esquerda da poltrona na qual eu estava acomodado estava causando um certo incômodo. Não foi uma boa idéia arrastar aquela velha senhora para perto da lareira, ou deveria tê-lo feito com maior apreço e carinho.
Rivers estava caminhando pela sala, inquieto.
- Quem ousará reclamar da soberba do outro, quando ele mesmo não dispõe de um momento para si? – questionou, e pousou a mão sobre o encosto da minha poltrona. A perna esquerda rangeu. – “A estratégia é a ciência do emprego do tempo e do espaço. Sou menos ávaro com o espaço do que com o tempo. O espaço pode ser resgatado. O tempo perdido, jamais.”.
Por sorte aquela citação arrancou o rangido que pousava sobre meus ouvidos e fez com que minha boca desejasse pronunciar um nome.
- Napoleão? – lancei a pergunta mesmo sabendo a resposta.
- Sim, meu caro. Napoleão foi feliz com suas palavras. E eu venho utilizá-las para mostrar-lhe que o tempo não deve ser desperdiçado.
- Pequena é a parte da vida que vivemos. Pois todo o resto não é vida, mas somente tempo. Por que diminuir ainda mais essa parte que nos foi concedida?
- Por que viver entorpecidos pela inércia?


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Especial

Quando encontrar alguém.

E seu coração parar por alguns instantes.

Se os olhares se cruzarem, e houver o mesmo brilho.

Se o toque dos lábios for intenso.

Se o beijo for apaixonante.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa.

Se a vontade de ficar juntos apertar o coração.

Agradeça, você encontrou alguém especial.



Grande

O amor é grande.
Mas cabe numa janela sobre o mar.

O mar é grande.
Mas cabe na cama de amar.

O amor é grande.
E cabe no breve espaço de beijar.



segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ausência

Os velhos dedos finos de John Rivers entraram suavemente no interior daquela caixa de madeira e saíram na companhia de um imponente charuto de Pinar del Río. A caixa era majestosamente decorada, e as iniciais de Rivers se destacavam no entalhe da tampa. Com semelhante majestade, os dedos experientes cortaram uma das pontas daquele troféu. E enquanto acendia essa mesma extremidade, ele se dirigiu à janela que ainda permanecia fechada.
Acompanhei a trajetória de Rivers até a janela, mas não presenciei o sucesso da empreitada. Novamente fui chamado por aquele silêncio inquieto do grupo de brasas ardendo na lareira. Percebi que havia alguns pedaços de carvalho relutantes em exercer sua nobre função de alimentar aquele fogo. Fogo essencial que mantinha meus membros inferiores aquecidos. Aquela amadeirada greve me deixou intrigado por alguns instantes.
Entre luz e fusco, tudo há de ser breve.
Houve um estalo na janela. Rivers resmungou algo incompreensível e a janela foi parcialmente aberta. O vento ignorou um cordial pedido de permissão e entrou. Foi o suficiente para eliminar a greve dos carvalhos. O fogo se inflamou de uma maneira peculiar e intensa.
- Veja você – atalhou Rivers, pousando sua mão sobre meu ombro. – O vento é para o fogo o que a ausência é para o amor. Extingue o pequeno, mas inflama o grande e intensifica o verdadeiro.

domingo, 7 de novembro de 2010

Arroz & Flores


Me perguntas por que compro arroz e flores?
Compro arroz para viver.
E flores para ter algo pelo que viver.



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Diálogo

Antes do Silêncio

Arrastei minha poltrona para mais perto da lareira enquanto Rivers completava meu copo com uísque. Apreciei a conveniência com que estavam dispostos estes regalos.
Rivers colocou mais um pedaço de carvalho em meio aos tições e de alguma forma relativamente compreensível isso despertou-lhe alguma idéia adormecida. Ele resolveu tirá-la do leito e plantá-la em nosso diálogo que se fazia estagnado até então.
– Veja o amor. – atalhou Rivers. – O amor é como o fogo. Deve ser alimentado para que seja contínuo. Deve ser alimentado...
– E qual seria o respectivo pedaço de carvalho do amor? – indaguei.
– Bem, caro amigo, creio que concedeste-me espaço para um breve divagar. – Ajeitou-se na poltrona, tomou um gole de água e prosseguiu. – Somos capazes de nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio. Com frequência subestimamos o poder do carinho, de um sorriso, de uma palavra amável. Pequenos atos alimentam este grandioso sentimento que é o amor. Não devemos esquecer de escutar. Sim, camarada. Saber ouvir. Prestar atenção na pessoa amada. Dedicação...
Houve uma pausa. E eu já estava esperando a famosa objeção que completaria seu pensamento.
– Porém, devo ressaltar que – prosseguiu Rivers, – que na realidade, na crua e paradoxal realidade...
Houve um conhecido silêncio que eu não ousei contrariar.

Durante o Silêncio

Houve um conhecido silêncio que eu não ousei contrariar.
Rivers mantinha o olhar fixo em algum ponto através da janela fechada. Talvez escolhera uma bela estrela disposta na imensidão da vitrine obscura que se fazia o céu. Magnífico contraste presente naquela noite fria.
Por um momento percebi uma dose de dúvida naquele olhar.
– O que estou dizendo? – pensava Rivers. – Com que credibilidade posso afirmar que conheço o combustível do amor? A ficção é demasiadamente perfeita. A conjectura é clara e precisa. Mas a realidade é complicada. Nada tem estilo. A vida é um infernal emaranhado de eventos aleatórios e sem explicação.
– Eventos aleatórios. – Rivers continuava divagando. – Eis a beleza intrínseca da vida. Eventos aleatórios. Somos diariamente surpreendidos e testados. Nossos princípios são colocados em prova em cada evento que não pudemos prever.
– A vida. Infernal emaranhado? Não! – Rivers conseguiu se posicionar em seu próprio mar de reflexões. - A vida é um sublime emaranhado de eventos aleatórios e sem explicação. Sublime! A vida é bela. E devemos confiar na aleatoriedade. Sim! Nossa chance de desfrutar dos conceitos fictícios está prevista pela probabilidade. O amor que tanto queremos alimentar está em algum lugar nesse emaranhado. E pode estar mais perto do que julgamos.

Depois do Silêncio

Houve um conhecido silêncio que eu não ousei contrariar.
Um estalo na lareira. Esse foi o artíficio daquele pedaço de carvalho para chamar a minha atenção. Atendi seu humilde pedido e contemplei o espetáculo. O leve crepitar das chamas rompia o silêncio de uma maneira majestosa. E o tique-taque do relógio mantinha o compasso.
Acima da lareira jazia o retrato de meio-corpo de John Rivers.
Uma nova manifestação sonora surgiu em meio aquele concerto que já se alongava por uma dezena de minutos. Era o relógio que mudou a nota e resolveu marcar as horas com suas estrondosas badaladas. Estrondosas o suficiente para capturar meu interlocutor de sua reflexão silenciosa e trazê-lo de volta para o diálogo que se desenvolvia.
– E pensar – disse Rivers, - pensar que quase tomei o caminho das negativas. Não vale o esforço pensar nas negativas do amor. Dessa vez, caro amigo, terei de desapontá-lo. Não haverá objeção. Não devemos hesitar neste assunto. Dúvidas podem bater a nossa porta, mas não há necessidade de convidá-las para entrar e oferecer poltrona e lareira. Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que às vezes poderíamos ganhar pelo medo de tentar.
– “Duvides que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova, duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.” – concordei que uma citação de Shakespeare se ergueria bem na ocasião presente.
– Exatamente! – reforçou Rivers. – Exatamente isso, camarada. – e erguendo-se de sua poltrona, dirigiu-se para um armário disposto em um canto da sala. Voltou com uma pequena caixa de madeira e perguntou-me, - Charuto?

domingo, 31 de outubro de 2010

Admirável

Primavera.
Era um desses líricos dias de primavera.
Uma dessas manhãs positivamente shakespeareanas.
Chovera à noite.
As árvores faziam reverências sob a brisa fresca.
As folhas novas cintilavam ao sol como jóias.
As grandes nuvens marmóreas no horizonte estavam divinamente esculpidas.
Esculpidas num momento de extática felicidade e poder sobre-humano.

Flores.
E havia as flores.
Flores nos jardins das casas.
Flores nos canteiros das praças.
Cada flor tinha a beleza consciente de um rosto amado.
Admirável beleza.
Sua fragância era um agradável mistério conhecido.
As pétalas, sob os dedos da minha imaginação, tinham a maciez, a sedosa frescura e elasticidade de uma epiderme viva.
O mundo estava ébrio de suas próprias perfeições, estuante com seu excesso de vida.


"Felicidade é ter o que fazer, ter algo que amar, e algo que esperar."

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Norte

Leste.
Ele acordou e foi até a sacada.
Olhou para baixo e contemplou o ainda tímido movimento de carros nas ruas.
Um cachorro latiu. Outro respondeu.
Levantou a cabeça e a direcionou para o leste.
O sol estava nascendo.
Diante daquele gigante, um velho conhecido entrou em cena.
Um conhecido que não batia na porta.
Simplesmente surgia quando ele menos esperava.
Era o desejo de amar.
Amar e ser amado.
Sinceramente. Intensamente.

Norte.
De velho conhecido, o sentimento passou a ser um guia.
Guiou seus olhos para o norte.
Para uma casa. Aquela não era uma casa qualquer.
Contemplou por alguns instantes aquela bela construção.
Era o abrigo de uma donzela.
Uma linda donzela.
Naquele momento ele percebeu uma fraqueza.
Ali, naquela humilde sacada, ele podia tão pouco por aquela que ama.
Desejou estar com ela.
Desejou fitar aqueles olhos tão lindos. Tão cheios de brilho.
Ele sentiu um aperto no peito.
Seu coração pulsou mais forte.
Tentou se desvencilhar daquele guia.
Virou as costas para a sacada e entrou no quarto.
Engoliu em seco.
Com a mão direita ele se benzeu.
Com a esquerda abriu a porta.
Começou mais um dia paulificante.

Oeste.
Como de costume ele voltou a tempo.
A tempo de contemplar o gigante encerrar seu expediente.
Um vento quente soprava na sacada.
Ele se apoiou na grade e fitou o oeste.
O sol estava se pondo.
Aquela mistura de cores o fascinou. Sempre o fazia.
Os últimos minutos de suspiro daquele astro se dilataram em uma eternidade.
Uma eternidade de planos e reflexões.
Mas nenhuma conclusão.

Leste. Norte. Oeste.
Leste. Norte. Oeste.
Os dias passavam e essa teimosa sequência era repetida.
Já aconteceu antes.
Não devia acontecer de novo.

Bússola.
A vida dele estava norteada.
Ele tinha uma direção a seguir.
Nunca houve dúvida.
O norte aponta o caminho.
Amar é preciso.


"Não serei eu que direi para você seguir em frente.
Direi: Vou com você."


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Esperança

Gota.
Havia uma aconchegante planície dourada.
No horizonte, uma tênue linha branca insistia em manter o límpido céu azul separado de sua áurea amada.
Havia uma nuvem. Um sinal de esperança.
Esperança de que houvesse uma gota de água prestes a despencar em direção àquela linda planície dourada.
A linha seria cruzada.
A terra seria tocada carinhosamente.
O sinal de afeto seria demonstrado.

Vento.
O vento acariciava suavemente minha pele.
Podia sentir meus pés se fundindo com aquela terra morna e macia.
Eu caminhava sobre uma bela planície dourada.
Havia uma nuvem branca e solitária em meio ao céu azul.
Eu também estava solitário.
O trigo batido indicava um caminho em minha frente.
O horizonte fazia mistério. Não revelava o final da estrada.
Continuei caminhando.
Minha mão esquerda tocava levemente o trigo dançante.
O ritmo era regido pelo mesmo vento que ditava o balanço de meus cabelos.

Lírios.
O caminho da planície era deliciosamente interminável.
Parei por um momento. Levantei os olhos em direção àquela nuvem.
Uma gota atingiu minha face.
Uma mão delicada tocou o local do impacto e retirou o excesso de água.
Girei sobre os calcanhares e nada.
Não consegui identificar a origem daquela mão tão doce.
Não consegui sentir mais nada.
Já não estava mais diante daquela planície.
Já não era acariciado pelo vento.
Minha face estava tocando o travesseiro.
O quarto estava escuro como breu.
Mas minhas narinas de pronto reconheceram a aura da feminilidade e de lírios que envolvia uma presença invisível.
Encontrei a fonte de tamanha delicadeza. Encontrei de onde veio aquela mão.
Levantei da cama. Senti o frio e a dureza do chão. Abri as cortinas da janela.
O quarto foi revelado. Ela não estava em nenhuma parte.
Só sentia o cheiro dos lírios. Só sentia o toque macio daquela mão.
Fui em direção a janela e contemplei o céu azul.
Havia uma nuvem. Uma única nuvem.


"Façamos da interrupção um caminho novo.
Da queda um passo de dança. Do medo uma escada. Do sonho uma ponte. 
E da procura um encontro!"


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dias Comuns

Eficientes.
Leitor, não se desaponte com o caráter efêmero do relato de hoje.
Meus dedos cumprem suas funções perfeitamente. Não há greve. Não há reclamação.
Simplesmente trabalham.
Porém, não há demanda suficiente para suprir tamanho potencial.
Não em dias comuns.

Nobreza.
Mas o que seria dos dias de glória se não houvessem dias comuns?
Os dias comuns têm uma nobre finalidade:
Tornar os dias excepcionais realmente excepcionais.


“A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente.” - Arthur Schopenhauer

domingo, 24 de outubro de 2010

Morango & Limão

Morango.
Como não ser hipnotizado por tamanha beleza?
Como não sucumbir a tamanha doçura?
A fortaleza mais estóica não resistirá.
Não resista.
Apenas perceba a amável travessura da natureza para nos manter calados.
Pois as palavras já são supérfluas.
Basta aproveitar a maravilhosa sensação de desfrutar dessa doçura.

Limão.
Alguns concordarão que pode ser azedo.
E assim, poucos poderão apreciar o intenso sabor.
E a intensidade é o ponto de destaque.
Dificilmente haverá maior empenho.
Empenho em proporcionar um tipo de sensação intensa e inesquecível.
Não há travessura.
Há dedicação.
Dedicação voltada para a satisfação de uma necessidade.
Necessidade de saborear algo diferente. Algo diferente daquela trivialidade superficial.

Limão & Morango.
Juntos?
Tentador!

“Há tanta suavidade em nada dizer.
 E tudo se entender.”


sábado, 23 de outubro de 2010

Prolegômenos

Arte.
Ontem, alguns pensamentos passaram rapidamente por mim e apenas lançaram cordiais cumprimentos.
Para sua sorte, leitor, hoje eles resolveram voltar para uma visita.
O maior sonho dos alquimistas era transformar um metal qualquer em um metal precioso.
Então, me atrevo a fazer uma analogia entre os pensamentos e os metais.
Nós pensamos, e fazemos com que o abstrato seja exibido de forma concreta por meio das palavras.
Porém, nossos olhos e ouvidos seriam mais felizes se nós evitássemos ser alquimistas de palavras.
Sim, leitor, poderíamos ser menos alquimistas. Porque assim como os alquimistas, não conseguimos transformar algo aparentemente sem valor em algo valioso.
As palavras jorram sem sentido, sem brilho.
Deveríamos, portanto, ser ourives. Deveríamos refinar o pensamento.
Nenhuma esplêndida transformação se faz necessária. Apenas o refino daquilo que já está carregado de valor.
Você deve ter reparado, leitor, que me refiro a "nós", pois também estou incluído.
Como não poderia estar?
Estes relatos são minhas tentativas de praticar o refino dos pensamentos. E como está evidente, ainda sou um aprendiz na arte da ourivesaria.

"Palavras de afeto podem ser pequenas e fáceis de dizer. Não hesite em dizê-las. Pois são palavras preciosas, cujos ecos são verdadeiramente infinitos."