Leste.
Ele acordou e foi até a sacada.
Olhou para baixo e contemplou o ainda tímido movimento de carros nas ruas.
Um cachorro latiu. Outro respondeu.
Levantou a cabeça e a direcionou para o leste.
O sol estava nascendo.
Diante daquele gigante, um velho conhecido entrou em cena.
Um conhecido que não batia na porta.
Simplesmente surgia quando ele menos esperava.
Era o desejo de amar.
Amar e ser amado.
Sinceramente. Intensamente.
Norte.
De velho conhecido, o sentimento passou a ser um guia.
Guiou seus olhos para o norte.
Para uma casa. Aquela não era uma casa qualquer.
Contemplou por alguns instantes aquela bela construção.
Era o abrigo de uma donzela.
Uma linda donzela.
Naquele momento ele percebeu uma fraqueza.
Ali, naquela humilde sacada, ele podia tão pouco por aquela que ama.
Desejou estar com ela.
Desejou fitar aqueles olhos tão lindos. Tão cheios de brilho.
Ele sentiu um aperto no peito.
Seu coração pulsou mais forte.
Tentou se desvencilhar daquele guia.
Virou as costas para a sacada e entrou no quarto.
Engoliu em seco.
Com a mão direita ele se benzeu.
Com a esquerda abriu a porta.
Começou mais um dia paulificante.
Oeste.
Como de costume ele voltou a tempo.
A tempo de contemplar o gigante encerrar seu expediente.
Um vento quente soprava na sacada.
Ele se apoiou na grade e fitou o oeste.
O sol estava se pondo.
Aquela mistura de cores o fascinou. Sempre o fazia.
Os últimos minutos de suspiro daquele astro se dilataram em uma eternidade.
Uma eternidade de planos e reflexões.
Mas nenhuma conclusão.
Leste. Norte. Oeste.
Leste. Norte. Oeste.
Os dias passavam e essa teimosa sequência era repetida.
Já aconteceu antes.
Não devia acontecer de novo.
Bússola.
A vida dele estava norteada.
Ele tinha uma direção a seguir.
Nunca houve dúvida.
O norte aponta o caminho.
Amar é preciso.
"Não serei eu que direi para você seguir em frente.
Direi: Vou com você."
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