- Não se encontra ninguém que queira dividir sua riqueza, mas a vida é distribuída entre muitos! São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.
Aquele charuto trouxe consigo algo além da sua composição de costume. Trouxe uma idéia. E essa idéia foi plantada e germinou na cabeça de Rivers. Ele estava disposto a discutir sobre a brevidade da vida, e lançava pensamentos ao seu bel-prazer.
Um novo elemento de distração foi introduzido no nosso diálogo. Uma perna esquerda da poltrona na qual eu estava acomodado estava causando um certo incômodo. Não foi uma boa idéia arrastar aquela velha senhora para perto da lareira, ou deveria tê-lo feito com maior apreço e carinho.
Rivers estava caminhando pela sala, inquieto.
- Quem ousará reclamar da soberba do outro, quando ele mesmo não dispõe de um momento para si? – questionou, e pousou a mão sobre o encosto da minha poltrona. A perna esquerda rangeu. – “A estratégia é a ciência do emprego do tempo e do espaço. Sou menos ávaro com o espaço do que com o tempo. O espaço pode ser resgatado. O tempo perdido, jamais.”.
Por sorte aquela citação arrancou o rangido que pousava sobre meus ouvidos e fez com que minha boca desejasse pronunciar um nome.
- Napoleão? – lancei a pergunta mesmo sabendo a resposta.
- Sim, meu caro. Napoleão foi feliz com suas palavras. E eu venho utilizá-las para mostrar-lhe que o tempo não deve ser desperdiçado.
- Pequena é a parte da vida que vivemos. Pois todo o resto não é vida, mas somente tempo. Por que diminuir ainda mais essa parte que nos foi concedida?
- Por que viver entorpecidos pela inércia?
não fique mais tanto tempo sem escrever, eu adoro ler.
ResponderExcluir