domingo, 31 de outubro de 2010

Admirável

Primavera.
Era um desses líricos dias de primavera.
Uma dessas manhãs positivamente shakespeareanas.
Chovera à noite.
As árvores faziam reverências sob a brisa fresca.
As folhas novas cintilavam ao sol como jóias.
As grandes nuvens marmóreas no horizonte estavam divinamente esculpidas.
Esculpidas num momento de extática felicidade e poder sobre-humano.

Flores.
E havia as flores.
Flores nos jardins das casas.
Flores nos canteiros das praças.
Cada flor tinha a beleza consciente de um rosto amado.
Admirável beleza.
Sua fragância era um agradável mistério conhecido.
As pétalas, sob os dedos da minha imaginação, tinham a maciez, a sedosa frescura e elasticidade de uma epiderme viva.
O mundo estava ébrio de suas próprias perfeições, estuante com seu excesso de vida.


"Felicidade é ter o que fazer, ter algo que amar, e algo que esperar."

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