domingo, 4 de setembro de 2011

Pandora

O couro preto dos sapatos de John Rivers rangia num ritmo suave seguido pelos estalos da madeira que compunha o assoalho. Ambos estavam brilhando, sapatos e assoalho. A madeira fora trazida de longe, capricho de meu caro amigo, que exigia andar sobre tábuas de ipê.

- Diga-me Rivers, como sabes que este assoalho é mesmo de ipê?

O excesso das cinzas equilibradas na ponta do charuto foram se deitar sobre o cinzeiro com um leve toque de John. E a mesma mão pairou sobre a barba espessa que cobria o queixo dele. Os lábios deslizaram.

- Entenda, meu caro amigo, que essa resposta poderia ser efêmera como uma brisa. Simples como andar para frente, não saberia responder se realmente este assoalho é de ipê. Mas pense comigo, vamos diferenciar um erro de uma mentira. Considerando um erro como uma ilusão ou um engano involuntário. E considerando uma decisão voluntária como uma mentira. Concluímos sem muito esforço a manifestação silenciosa da crença de que somos todos seres dotados de vontades.

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