- Onde o solo encontra a água. Onde a terra encontra o ar. Onde o corpo encontra e mente. Onde o espaço encontra o tempo. Gostamos de estar de um lado contemplando o outro. – disse John Rivers enquanto caminhava sobre a areia com as calças dobradas até a altura do joelho.
A água tocou os pés cansados daquele homem velho que simplesmente contemplava os exuberantes limites que se faziam presentes. A areia limitando o mar. O mar limitando o céu. O céu limitando a vida.
- Que paradoxo, caro amigo. Que paradoxo! Justo nós, que nos julgamos homens livres e que evitamos ficar atados e limitados. Justo nós! Acabamos adorando tanto essas condições limítrofes. Mas como ser indiferentes a esse espetáculo? – e enquanto ele questionava, o mar continuava na mesma melodia de sempre. Tocando tranquilamente a mesma nota. Tocando suavemente as calças de Rivers.
– Vivemos para nos congregar, e nos juntamos para viver. Estamos nessa constante busca pelo limite que nos deixa completos. Onde o amor encontra o amor.
Numa sintonia perfeita, o vento soprou, o mar suspirou e o sol cruzou um limite em silêncio.
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